segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Análise do curso Introdução a Educação Digital - Windows

A partir do trabalho que venho desenvolvendo no Núcleo de Tecnologia Educacional, enquanto formadora do curso de Introdução a Educação Digital para professores da Educação Básica da Rede Estadual de Porto Alegre, iniciei uma análise sobre a aprendizagem no uso das tecnologias pelas professoras, especialmente considerando as propostas metodológicas utilizadas.


Participantes:

Este curso foi oferecido exclusivamente para professores da Rede Pública Estadual de Porto Alegre. Segue abaixo informações sobre as 18 participantes:
  • > 30 anos de idade;
  • 40 horas semanais em de trabalho em escola;
  • possuem computador em casa
  • pouco contato com o computador
  • mais da metade adquiriu o Laptop no programa Professor Digital

Objetivos em relação ao curso:
  • inclusão social no mundo digital
Exemplo: No encontro em foram criados os e-mails, após conseguir efetuar o cadastro e criar sua conta, uma aluna-professora sentiu-se realizada e comemorou dizendo que em casa abriria um vinho para celebrar esta conquista. Na semana seguinte esta aluna havia trocado vários e-mails com colegas e amigas.
  • autonomia na elaboração de materiais pedagógicos;
  • adequar-se às solicitações e demandas do trabalho docente: digitação de planos de estudos, provas e textos.

Uma análise inicial...

Para Vygotsky o processo de ensino numa forma pura não existe; apesar de não coincidirem ensino e aprendizagem não podem ser separados.
Podemos definir o ensino como um processo intencional, que historicamente foi sendo delimitado como função de um grupo de pessoas - os professores. Todavia, temos que considerar a plasticidade deste processo, o que significa que no momento da interação professor/aluno a intencionalidade do professor pode não coincidir com a percepção do aluno.
Para mim, enquanto formadora do curso, o vídeo a seguir foi uma grande inspiração na medida em que depois que aprendemos algo esquemos o processo e muitas vezes consideramos a aprendizagem como algo mágico.





Aprendizagem a partir da teoria sócio-histórica

No periodo em que Vygotsky desenvolveu seus estudos a teoria comportamentalista era a mais moderna, por isso ele partir desta teoria e estabeleceu um elo intermédiário entre a relação tradicional estímulo -> resposta. Segundo ele, este elo está fora e interfere nesta relação. Assim quando se olha apenas para o estimulo e a resposta perde-se a visão geral, pois ignora-se o contexto e sua importância nesta relação.

“A potencialidade para as operações complexas com signos já existe nos estágios mais precoces do desenvolvimento individual. Entretanto, as observações mostram que entre o nível inicial (comportamento elementar) e os níveis superiores (formas mediadas de comportamento) existem muitos sistemas psicológicos de transição. Na história do comportamento, esses sistemas de transição estão entre o biologicamente dado e o culturalmente adquirido. Referimo-nos a esse processo como a história natural do signo” (VYGOTSKY, p.53 - “e-book”) 

 A aprendizagem é um processo histórico e social que não se reduz a formação de hábitos. É um processo externo que atua e cria na área de desenvolvimento potencial estimulando e ativando processos internos do desenvolvimento.

Interrelações com os outros aquisições internas.
A aprendizagem é permanente. A troca de instrumento exige uma nova aprendizagem sobre o mesmo processo. Continuamos a aprender a caminhar ao longo da vida...


Diferença entre a aprendizagem das crianças e dos adultos

Cremos que a diferença essencial consiste nas diversas relações destas aprendizagens com o processo de desenvolvimento.

Aprender a usar uma máquina de escrever significa, na realidade, estabelecer um certo número de hábitos que, por si sós, não alterarm absolutamente as características psicointelectuais do homem. Uma aprendizagem deste gênero aproveita um desenvolvimento já elaborado e completo, e justamente por isso contribui muito pouco para o desenvolvimentogeral.

O processo de aprender a escrever é muito diferente. Algumas pesquisas demonstraram que  este processo ativa uma fase de desenvolvimento dos processos psicointelectuais interamente nova e muito complexa [...] (VIGOTSKII, LURIA & LEONTIEV, 2006, p. 116)

Entrementes, quando pensamos na aprendizagem do uso das tecnologias podemos identificar o que Buckinghan (2007, p.121) definiu como "mito popular de que a criança tem afinidade natural com as tecnologias".
Assim, no que diz respeito aos processos de aprendizagem das TIC por adultos, proponho alguns questionamentos:

  • Aprender a usar o computador pode ser equivalente a aprender a escrever?
  • Estas aprendizagens desencadeiam processos psicointelectuais novos e/ou complexos? 

Referências:

BUCKINGHAM, David. Crescer na era das mídias eletrônicas. São Paulo: Edições Loyola, 2006.
VYGOTSKY, L. S Formação Social da Mente. 6º Edição.- São Paulo: Martins Fontes, 1998.
VYGOTSKII, Lev Semynovich. LURIA, Alexander Romanovich. LEONTIEV, Alexis N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 10. ed. São Paulo : Ícone, 2006.

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